CEO do BRB é preso; propina de R$ 146 milhões seria paga com seis imóveis de luxo em Brasília e SP

Ex-presidente do BRB é preso sob suspeita de receber R$ 146 milhões em propina através de seis imóveis de luxo

Paulo Henrique Costa, ex-CEO do Banco Regional de Brasília (BRB), foi preso nesta quinta-feira (16) por suspeita de envolvimento em um esquema de propina avaliado em R$ 146 milhões. A Polícia Federal aponta que o valor seria pago por meio da transferência de seis imóveis de alto padrão localizados em Brasília e São Paulo. A investigação faz parte da quarta fase da Operação Compliance Zero.

Segundo informações da Polícia Federal (PF), apresentadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, Daniel Vorcaro teria negociado o pagamento da propina ao então CEO do BRB. Os imóveis envolvidos são de alto padrão e situados em condomínios de luxo, com amenidades como piscinas aquecidas, quadras de tênis e arquitetura diferenciada, localizados em regiões nobres das duas capitais.

As unidades imobiliárias estão vinculadas a empreendimentos como Heritage, Arbórea e One Sixty em São Paulo, e Ennius Muniz e Valle dos Ipês em Brasília. A investigação aponta para o uso de empresas de fachada para ocultar a posse dos bens, configurando possível lavagem de dinheiro.

Detalhes dos imóveis de luxo negociados

Em São Paulo, o condomínio Heritage, no Itaim Bibi, é destacado por suas unidades com cerca de 570 metros quadrados, podendo chegar a mais de mil metros quadrados nas coberturas duplex. No lançamento, os imóveis foram negociados entre R$ 18 milhões e R$ 32 milhões, com o metro quadrado avaliado em no mínimo R$ 32 mil. Atualmente, os valores anunciados por corretoras ultrapassam R$ 42 milhões. O edifício conta com arquitetura do estúdio italiano Pininfarina e área de lazer completa.

Outro empreendimento citado é o One Sixty, na Vila Olímpia, com unidades de 270 m² a 340 m², e coberturas de até 592 m². Lançado em 2015, o Valor Geral de Vendas (VGV) do projeto foi de R$ 432,6 milhões. O metro quadrado, que custava cerca de R$ 30 mil no lançamento, resultando em unidades entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões, hoje é anunciado por valores entre R$ 13 milhões e R$ 20 milhões.

O condomínio Arbórea, desenvolvido pela Benx, também é mencionado. Um de seus projetos entregues, o Arbórea Itaim, localizado perto do Parque do Povo, teve unidades básicas anunciadas por R$ 30 milhões. Este condomínio possui 28 unidades de 472 m² a 1.070 m².

O Casa Lafer, também no Itaim Bibi, teve o apartamento mais caro de São Paulo em 2021, com preço médio de R$ 16,2 milhões. Atualmente, as unidades são anunciadas por cerca de R$ 23 milhões. O prédio abriga 19 unidades de 424 m² a 792 m².

Em Brasília, o Ennius Muniz Residencial, no Noroeste, oferece apartamentos a partir de R$ 5 milhões. O empreendimento tem 20 unidades de 291 m² a 298 m², além de quatro duplex de 388 m² a 590 m².

O Valle dos Ipês, no Jardim Botânico, apresenta apartamentos de 147 m² a mais de 427 m², além de townhouses e penthouses de 260 m² a 846 m². Os valores anunciados em imobiliárias locais variam de R$ 3,3 milhões a mais de R$ 7 milhões.

Investigação e defesa

A operação de pagamento de propina e lavagem de dinheiro teria sido estruturada pelo advogado Daniel Monteiro, ligado a Vorcaro, que também foi preso. Arquivos da PF revelam diálogos entre Costa e Vorcaro sobre a negociação de um dos imóveis, com Costa pedindo a confecção de um contrato e demonstrando interesse em mostrar o apartamento de luxo em São Paulo para sua esposa.

O advogado de Paulo Henrique Costa, Cléber Lopes, declarou que a defesa mantém a convicção da inocência do ex-presidente do BRB, afirmando que ele não praticou nenhum crime.

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