quanto custa comprar um imóvel além da entrada: negociando custos extras e despesas pós-compra

A compra de um imóvel é, sem dúvida, um dos maiores sonhos e investimentos na vida de muitas pessoas. No entanto, o que muitos não preparam adequadamente é o montante de dinheiro necessário além do valor da entrada e das parcelas do financiamento. Diversos impostos, taxas e despesas podem surgir ao longo do processo, totalizando uma fatia considerável do investimento. Compreender e planejar esses custos extras é fundamental para evitar surpresas e garantir que a aquisição do seu novo lar seja uma experiência tranquila e segura.

Ignorar esses gastos adicionais pode levar a um desequilíbrio financeiro significativo, comprometendo o orçamento familiar ou até mesmo colocando em risco a concretização do negócio. Neste artigo, vamos detalhar os custos que vão além do preço anunciado do imóvel, ajudando você a se planejar financeiramente para cada etapa, desde a negociação até a mudança e os primeiros meses na nova residência.

Despesas que compõem o custo total de um imóvel

Ao pensar em adquirir um imóvel, é comum focar no valor de venda e no montante reservado para a entrada. Contudo, o desembolso total é consideravelmente maior. Esses custos adicionais, que incluem tributos, taxas de cartório e outras despesas inerentes à transação, podem representar entre 4% a 8% do valor total do imóvel, um percentual que não deve ser subestimado.

Para garantir que você esteja totalmente preparado, é essencial conhecer cada um desses itens e se informar sobre os valores médios praticados. A transparência nestas informações permite um planejamento financeiro mais preciso e seguro.

1. ITBI: o imposto municipal da transferência

O Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) é um tributo municipal obrigatório, pago pelo comprador no momento da transferência de propriedade. A alíquota varia de acordo com a cidade, mas geralmente fica entre 2% e 3% sobre o valor venal do imóvel ou o preço de compra, o que for maior. Em São Paulo, por exemplo, a taxa é de 3%. Consultar o site da prefeitura local ou o corretor imobiliário é o melhor caminho para saber a alíquota exata e como realizar o pagamento.

2. Escritura do imóvel: formalizando a negociação

A escritura pública é o documento oficial que formaliza a compra e venda de um imóvel em cartório. Seu custo é tabelado e varia de acordo com o valor do imóvel e a tabela de emolumentos do estado, podendo custar entre R$ 1.000 e R$ 5.000. Em casos de financiamento imobiliário, o contrato bancário geralmente substitui a escritura pública, o que pode gerar uma economia. No entanto, não formalizar a escritura quando aplicável pode trazer problemas futuros relacionados à regularização e venda do bem.

3. Registro do imóvel: a posse oficial garantida

Após a escritura (ou o contrato de financiamento, em alguns casos), é fundamental registrar o imóvel no Cartório de Registro de Imóveis. Este ato garante legalmente que você é o proprietário do bem. O custo para o registro costuma variar entre 1% a 1,5% do valor do imóvel. Ignorar este passo, assim como a escritura, pode gerar insegurança e complicações, especialmente em situações como inventário ou futura venda.

4. Taxas de cartório: custos administrativos adicionais

Além dos custos diretos da escritura e do registro, os cartórios cobram pequenas taxas administrativas para emissão de certidões, autenticações de documentos e outros procedimentos. Estes gastos adicionais podem somar, em média, entre R$ 300 e R$ 800, dependendo da quantidade de documentos e certidões necessárias.

5. Corretagem imobiliária: o serviço do intermediador

Caso a compra seja intermediada por um corretor de imóveis, é preciso considerar a taxa de corretagem. Geralmente, essa comissão varia entre 5% a 6% do valor do imóvel. Em lançamentos imobiliários, esse custo muitas vezes já está embutido no preço de venda. Em negociações de imóveis usados, é importante confirmar quem será o responsável pelo pagamento. Tradicionalmente, o proprietário é quem paga essa taxa, mas é válido o comprador estar ciente de sua existência.

6. Laudêmio: taxa em casos específicos

O laudêmio é uma taxa cobrada em transações de imóveis localizados em terrenos de domínio da União ou em regime de aforamento, como em áreas de marinha. Essa taxa é paga ao governo federal ou ao senhorio do terreno. A legislação atual determina que o vendedor é o responsável pelo pagamento, mas é comum haver negociação entre as partes, podendo o custo ser dividido ou integralmente pago pelo comprador, dependendo do acordo.

7. Custos relacionados ao financiamento

Se a compra for realizada por meio de financiamento imobiliário, outros custos se somam. A avaliação bancária, realizada por peritos para verificar o estado e a documentação do imóvel, pode custar entre R$ 3.000 e R$ 4.000 e geralmente não é parcelável. Além disso, o seguro obrigatório do imóvel, que cobre riscos como morte ou invalidez do titular, representa um percentual do valor financiado, variando entre 2,5% a 5% e sendo incluído nas parcelas mensais dentro do Custo Efetivo Total (CET).

Despesas pós-compra: o que esperar após a aquisição

A jornada financeira não termina com a assinatura do contrato e o registro do imóvel. Uma série de despesas surgem logo após a mudança, demandando planejamento adicional.

1. Mudança e transporte

O custo da mudança pode variar significativamente dependendo da distância, do volume de bens e da necessidade de contratar uma empresa especializada. É importante orçar este serviço com antecedência.

2. Reformas e reparos iniciais

É comum que, ao se mudar para um novo imóvel, surjam necessidades de pequenas reformas, reparos ou adaptações. Pintura, troca de piso, conserto de instalações elétricas ou hidráulicas são exemplos de gastos que podem aparecer. Se o imóvel for usado, a necessidade de reparos pode ser ainda maior.

3. Mobiliário e decoração

A compra de móveis novos, eletrodomésticos e itens de decoração é outra despesa que impacta o orçamento pós-compra. Planejar a aquisição desses itens de forma escalonada pode ajudar a diluir o impacto financeiro.

4. Condomínio e IPTU (despesas recorrentes)

Se o imóvel estiver em condomínio, a taxa condominial será uma despesa mensal fixa a ser considerada. Ela cobre a manutenção das áreas comuns, segurança, limpeza, entre outros serviços. Da mesma forma, o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) é um tributo anual que deve ser provisionado no orçamento. É crucial verificar se há débitos pendentes de condomínio ou IPTU antes de fechar o negócio.

5. Contas de consumo e taxas de serviço

Ao se mudar, é preciso considerar os custos com a instalação e o consumo de água, luz, gás, internet e telefone. Pequenas taxas de ligação nova ou mudança de titularidade também podem surgir.

Planejamento financeiro: a chave para uma compra segura

A soma de todos esses custos adicionais pode parecer assustadora, mas com um bom planejamento financeiro, a compra do seu imóvel se torna uma meta alcançável e segura. Criar uma planilha detalhada com todas as despesas previstas é uma ferramenta poderosa para evitar surpresas e manter o controle do seu orçamento.

Converse abertamente com seu corretor de imóveis sobre todos esses custos. Profissionais experientes podem oferecer orientações valiosas e ajudar a estimar os valores com mais precisão. Lembre-se que o planejamento deve englobar não apenas o valor da entrada, mas todo o investimento necessário para concretizar o sonho da casa própria e começar uma nova vida nele com tranquilidade.

Fontes

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